A Dinâmica do Desconhecido: Como a Lógica de Lupasco e a Liberdade Ilimitada Conduziram à Eleição de Trump /The Dynamics of the Unknown: How Lupasco’s Logic and Unrestricted Freedom Led to Trump’s Election

A Dinâmica do Desconhecido: Como a Lógica de Lupasco e a Liberdade Ilimitada Conduziram à Eleição de Trump

Teve gente que chorou ao saber que Trump foi eleito. Bizarro. Eu aplaudi. Não porque goste do Trump, mas porque gosto da liberdade e de todas as suas consequências. A lógica clássica, com sua busca por certezas absolutas, organiza o mundo de forma previsível. Contudo, essa ordem é insuficiente frente à complexidade do real. A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, onde a liberdade é amplamente protegida, nos oferece uma oportunidade de compreender a dinâmica do desconhecido.

Nos EUA, as crianças aprendem desde cedo que são livres, mas que essa liberdade traz responsabilidades. Com um sistema educacional robusto, o país forma cidadãos que entendem que a lei não existe para restringir a liberdade, mas para responsabilizar seu uso. Esse princípio molda a cultura americana, criando um ambiente onde a liberdade de expressão é absoluta, e qualquer ideia ou personalidade pode florescer. Lá, a constituição que garante a liberdade é respeitada.

Essa liberdade irrestrita dialoga com a lógica da contradição de Stéphane Lupasco, que nos lembra que a realidade não é composta de verdades absolutas, mas de potencialidades opostas em constante transformação. Assim como Johannes Kepler desafiou a crença em órbitas perfeitas ao descobrir a beleza das elipses – imperfeitas mas reais – Lupasco nos convida a ver a mudança e a incerteza como forças essenciais. Em uma sociedade onde a liberdade não é limitada, as escolhas do povo se tornam menos previsíveis, refletindo a lógica do desconhecido.

A eleição de Trump representa, assim, o pulso de uma sociedade onde forças opostas coexistem e se influenciam. Como na física quântica, onde partículas podem estar em múltiplos estados simultaneamente, a vitória de Trump reflete uma liberdade em que “certo” e “errado” coexistem, sempre prontos a se transformar. A lógica clássica, que busca certezas, falha em capturar essa profundidade: nos EUA, votar é mais do que uma escolha binária; é uma expressão de uma coletividade em transformação, onde a liberdade plena permite a manifestação de qualquer potencialidade.

Essa liberdade radical tem seu preço. Assim como na incerteza quântica, a liberdade expõe a sociedade a mares revoltos e destinos inesperados. A eleição de Trump é, então, uma oportunidade para explorar a complexidade do pensamento coletivo em uma sociedade genuinamente livre, que também se auto-organiza e evolui, independentemente de quem elege. Lupasco nos encoraja a aceitar a incerteza e a reconhecer que a liberdade irrestrita é campo fértil para o surgimento do novo, do contraditório, do imprevisível.

No Brasil, o cenário é diferente. Aqui, enfrentamos desafios que limitam a expressão do coletivo, como uma educação frágil, insegurança jurídica e uma cultura de censura. Enquanto as crianças americanas aprendem cedo que a liberdade é um direito inalienável e que a responsabilidade acompanha seu uso, no Brasil não temos essa base. Nosso sistema educacional, historicamente insuficiente, restringe a formação de uma consciência crítica e limita a capacidade de autodeterminação.

A lógica de controle e previsibilidade domina as esferas política e jurídica brasileiras, onde a busca por ordem e segurança se sobrepõe ao valor da liberdade. Ao contrário da “dinâmica do desconhecido” de Lupasco, o Brasil adota uma lógica de tutela, onde censura e insegurança jurídica bloqueiam o potencial transformador do pensamento coletivo. A liberdade é condicionada, e o “vir-a-ser” da sociedade encontra limites rígidos, reforçados por um sistema que dificulta a educação para a autonomia. Aqui se queimam livros. Por piores que sejam, livros não devem ser queimados. Podem ser discutidos, suas ideias combatidas, mas jamais queimados.

Essa ausência de uma liberdade ampla e incondicional inibe a expressão das contradições naturais da sociedade brasileira, forçando o coletivo a se ajustar a normas impostas. O “estado T” de Lupasco, que convida a viver na incerteza e acolher a mudança, encontra no Brasil um terreno menos receptivo, onde a transformação é substituída pela manutenção de uma ordem rígida, onde certo e errado são absolutos e determinados por quem detém o poder, alguém que muitas vezes sequer foi eleito pelo povo.

Essa diferença ressalta um dilema profundo: enquanto a liberdade nos Estados Unidos permite que a sociedade explore possibilidades extremas, no Brasil, a insegurança jurídica e a censura restringem essa capacidade, limitando a sociedade a uma segurança ilusória, onde as contradições são vistas como ameaças e não como oportunidades de evolução. E onde a ausência de uma educação para a liberdade perpetua o ciclo de conformidade.

Portanto, enquanto os Estados Unidos exemplificam a lógica de Lupasco, onde a incerteza e a liberdade plena possibilitam uma dança dinâmica entre forças opostas, o Brasil permanece preso a uma lógica clássica, onde o controle impede a sociedade de experimentar o potencial transformador da liberdade. Essa diferença é fundamental para entender como cada sociedade reage ao desconhecido e até que ponto permite que seus cidadãos naveguem pelos mares da incerteza, impulsionando mudanças que refletem a verdadeira dinâmica de um povo autônomo e soberano. Se o incerto amedronta, por outro lado, liberta e permite o progresso. Controles rígidos atrasam e limitam o progresso. Talvez os dizeres da bandeira estejam errados: ordem e progresso, juntos, são impossíveis.

The Dynamics of the Unknown: How Lupasco’s Logic and Unrestricted Freedom Led to Trump’s Election

Some people cried with sadness when Trump was elected. Bizarre. I applauded—not because I like Trump, but because I love freedom and all of its consequences. Classical logic, with its pursuit of absolute certainties, organizes the world in a predictable way. Yet this order proves insufficient in the face of reality’s complexity. The election of Donald Trump in the United States, where freedom is widely protected and valued, offers us an opportunity to understand the dynamics of the unknown.

In the U.S., children learn from an early age that they are free, but that freedom comes with responsibility. With a robust educational system, the country produces citizens who understand that laws do not exist to restrict freedom but to make people accountable for how they use it. This principle shapes American culture, creating an environment where freedom of expression is absolute, allowing any idea or personality to flourish. There, the constitution that guarantees freedom is respected.

This unrestricted freedom aligns with Stéphane Lupasco’s logic of contradiction, which reminds us that reality is not made up of absolute truths but of opposing potentialities in constant transformation. Just as Johannes Kepler challenged the belief in perfect circular orbits by discovering the beauty of ellipses—imperfect yet real—Lupasco invites us to view change and uncertainty as essential forces. In a society where freedom is not limited, people’s choices become less predictable, reflecting the logic of the unknown.

Trump’s election thus represents the pulse of a society where opposing forces coexist and influence one another. Like quantum physics, where particles can be in multiple states simultaneously, Trump’s victory reflects a freedom in which “right” and “wrong” coexist, always ready to transform. Classical logic, which seeks certainties, fails to capture this depth: in the U.S., voting is more than a binary choice; it is an expression of a collective in flux, where full freedom allows any potentiality to manifest.

This radical freedom comes with a price. Just as in quantum uncertainty, freedom exposes society to turbulent waters and unexpected destinations. Trump’s election, therefore, presents an opportunity to explore the complexity of collective thought in a genuinely free society—one that also self-organizes and evolves, improving visibly regardless of who is elected. Lupasco encourages us to accept uncertainty and recognize that unrestricted freedom is fertile ground for the emergence of the new, the contradictory, the unpredictable.

In Brazil, the scenario is different. Here, we face challenges that limit the expression of the collective, such as a weak educational system, legal insecurity, and a culture of censorship. While American children learn early that freedom is an inalienable right and that responsibility accompanies its use, this foundation is lacking in Brazil. Our educational system, historically insufficient, restricts the formation of critical awareness and limits the capacity for self-determination.

Control and predictability dominate Brazil’s political and legal spheres, where the pursuit of order and security outweighs the value of freedom. Unlike Lupasco’s “dynamics of the unknown,” Brazil operates under a logic of guardianship, where censorship and legal insecurity block the transformative potential of collective thought. Freedom here is conditional, and society’s “becoming” faces rigid limits, reinforced by a system that hinders education for autonomy. Here, books are burned. However bad they may be, books should not be burned. They can be debated, their ideas fought against, but never destroyed.

This lack of broad, unconditional freedom stifles the natural contradictions of Brazilian society, forcing the collective to conform to imposed norms. Lupasco’s “state T,” which invites us to live in uncertainty and embrace change, finds less receptive ground in Brazil, where transformation is often replaced by the maintenance of rigid order, where right and wrong are absolutes, determined by someone who holds power—someone who often wasn’t even elected by the people but imposed upon them.

This difference reveals a profound dilemma: while freedom in the United States allows society to explore extreme possibilities, in Brazil, legal insecurity and censorship restrict this same capacity, limiting society to an illusory sense of safety, where contradictions are seen as threats, not as opportunities for growth. And where the absence of education for freedom perpetuates the cycle of conformity.

Thus, while the United States exemplifies Lupasco’s logic, where uncertainty and full freedom enable a dynamic interplay of opposing forces, Brazil remains bound by classical logic, where control prevents society from experiencing the transformative potential of freedom. This difference is essential for understanding how each society responds to the unknown and to what extent it allows its citizens to navigate the seas of uncertainty, driving changes that reflect the true dynamics of an autonomous and sovereign people. If the unknown brings fear, it also liberates and enables progress. Strict controls slow and limit progress. Perhaps the words on the Brazilian flag are wrong: order and progress, together, are impossible.

4 responses to “A Dinâmica do Desconhecido: Como a Lógica de Lupasco e a Liberdade Ilimitada Conduziram à Eleição de Trump /The Dynamics of the Unknown: How Lupasco’s Logic and Unrestricted Freedom Led to Trump’s Election”

  1. Maravilha

  2. Vemos que o autor do texto tem muitos gaps de conhecimento sobre historia e geopolítica. A consequência disso é a vassalagem, admiração deslumbrada aos EUA que nunca foi recíproca e falta de compreensão do país em que vive ao mencionar que “queimamos livros”.

    A estrada para sermos um país justo, desenvolvido e soberano será cada vez mais prolongada se continuarmos com pensamentos como esse.

    Devemos olhar para outros países de forma estratégica de como devemos lidar diplomaticamente com eles. Tudo isso com plano de desenvolvimento nacional estabelecido que industrialize o país, eduque nossas crianças, traga segurança, diminua a desigualdade e emancipe nosso povo.

    Isso sim é ser livre.

    Conhecimento liberta.

    1. Caro Santiago. Certamente tenho gaps de conhecimento. Afinal, mesmo após 50 anos como neurocirurgiao, tendo estudado em universidades americanas e canadenses, mantendo uma intensa jornada diaria dedicada ao estudo, certamente tenho gaps. Quanto a vassalagem que voce sutilmente me imputa, jamais a tive. Nem pelos EUA nem pelos habitualmete imbecis que nos tem governado. No post, na sua limitacao natural, abordei a questao da liberdade de escolha de um povo. e, quando um livro é proibido por ordem judicial, nao existe a menor duvida que ‘QUEIMA-LO” é absolutamente coerente. Quanto às suas aspiracoes de industrializacao, educacao das criancas e seguranca, com diminuicao das desigualdades e emancipacao do nosso povo, concordo plenamente.

  3. Avatar de Itamar Dias Fernandes
    Itamar Dias Fernandes

    Muito interessante, a abordagem que fazes Valter, sobre a dinâmica política nos EUA, baseada na leitura, sobre, a Dinâmica do Desconhecido, como a Lógica de Lupasco e a liberdade ilimitada, pelas quais, as janelas e portas para novas mudanças políticas são rotativas. Diferentemente, do que se nos ocorre, ao longo, da República de poucos e sempre para poucos. Irei arranjar um tempo pra ler Lupasco. Não conheço nada, sobre Stephanie Lupasco! Obrigado, por compartilhar comigo, esse maravilhoso texto. Apesar de minha indignação, pela vitória do referido extrema-direita. Desde minha infância, tenho uma preferência pelo partido de John Fitzgerald Kennedy. Um abraço, meu amigo!

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